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Pelo direito de ser reconhecido como alguém capaz de transformar

Pelo direito de ser reconhecido como alguém capaz de transformar

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Nos dias 29, 30 e 31 de março, o programa Escolas Transformadoras participa da 1º edição da CONANE Paraíba

Nesta última sexta-feira de março (29), no município de Conde (PB), cerca de 300 educadores de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e do estado anfitrião, Paraíba, se reuniram para a sua I CONANE estadual. A Conferência Nacional de Alternativas para a Educação é um movimento auto-organizado e mobilizado por educadores que ocorre em várias regiões do Brasil.

Aqui, na Paraíba, ela é realizada em conjunto com o Núcleo de Educação Transformadora, iniciativa de quase 50 educadores, entre eles, Leila Coelho, diretora da escola transformadora Nossa Senhora do Carmo, de Bananeiras (PB).

Na tarde desta sexta úmida e quente, professoras, equipes técnicas de inúmeras secretarias municipal e estadual, estudantes de pedagogia e professores de Universidades locais acompanharam atentos e entusiasmados a primeira mesa de debate. Com o título A concepção de escola em novas alternativas da educação, a conversa foi mediada por Sônia Goulart, uma das mobilizadoras da CONANE. Sônia iniciou sua fala dizendo que, para se ter uma alternativa à educação, é preciso que esta seja viva. Por isso, provocou: o que é preciso para uma escola ser viva? 

O primeiro convidado a responder foi Abdalaziz de Moura, um dos fundadores e educador da escola transformadora SERTA, localizada em Pernambuco. Ele lembrou que, certa vez, a equipe da secretaria de educação procurou a escola para entender se o trabalho ali desenvolvido poderia ser aplicado em escolas com avaliação baixa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Ele então convidou que conhecessem os estudantes que haviam se formado no SERTA. Para Moura, além de todas as habilidades necessárias para um cidadão, uma escola transformadora precisa dar espaço para o desejo de aprender e para a afetividade, algo que os estudantes mencionaram diversas vezes. “Essa é uma escola viva”, concluiu.

Na sequência, foi a vez da co-coordenadora do Escolas Transformadoras, Raquel Franzim, que argumentou que uma escola viva é aquela que reconhece o direito de toda criança, jovem e adulto de ser, desejar, ensinar e aprender de múltiplas formas. O direito de ser reconhecido como alguém capaz de transformar. Para ela, a resistência necessária para o momento atual é não abrir mão de nenhum direito e que a visão integral de ser humano não se configure como um privilégio de apenas alguns.

Da esquerda para a direita: Carlos Rodrigues Brandão, Abdalaziz de Moura, Sônia Goulart, Alemberg Quindins, Raquel Franzim e José Pacheco

Vivo é o espaço, é o bioma, é a paisagem. Para o fundador da Fundação Casa Grande, Alemberg Quindins, a educação viva é aquela que não aparta a infância do seu território, do espaço. Pelo contrário, devolve às crianças a natureza, o ar livre, a paisagem, que tanto nos ensina e nos mantém vivos.

O que faz a educação permanecer viva? Essa foi a pergunta disparadora da fala do professor Carlos Rodrigues Brandão, autor do livro “O que é a educação?”, obra clássica da Editora Brasiliense, que está em sua 60ª edição. Para o autor e antropólogo, a educação viva é aquela que acende a esperança. Viva porque está à serviço das classes populares e não se serve do povo.

O último a falar – antes de uma avalanche de boas reflexões da plateia – foi José Pacheco. Pacheco, como muitos o conhecem, respondeu que, para saber o que é uma escola viva, é preciso se perguntar: o que é escola? “Sem pessoas não há escola. Pode não ter o prédio, não ter computador, não ter sala. Mas sem as pessoas a escola não existe. Por isso ela é viva“, disse.

Plateia acompanha a I CONANE Paraíba

A partir daí inúmeras perguntas chegaram da plateia. Todas e todos estavam muito instigados a entender como essas reflexões ganham o currículo, os tempos, os espaços e as relações dentro e fora da escola. Além da mesa, inúmeros relatos de experiência foram compartilhados posteriormente. Por todo o local, experiências de escolas, secretarias e organizações sociais apresentaram como a resistência por uma educação viva ganha os territórios.

Entre tanta diversidade de caminhos, uma visão comum se mostrou em todos os trabalhos – a crença no potencial de cada um de transformar e a educação como uma importante ferramenta para isso.

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