Instituto Federal do Paraná – Campus Jacarezinho (PR)

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É preciso de incomodar. Só há mudança quando paramos para pensar e saímos de um cotidiano automatizado.”

David Jose de Andrade Silva
Professor do IFPR Jacarezinho

O Instituto Federal do Paraná (IFPR – Campus Jacarezinho) é uma instituição pública federal de ensino vinculada ao Ministério da Educação (MEC) por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec). A instituição é voltada à educação superior, básica e profissional e é especializada na oferta gratuita de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades e níveis de ensino. A instituição foi criada em dezembro de 2008 junto aos 38 institutos federais existentes hoje no país e possui autonomia administrativa e pedagógica. O IFPR Jacarezinho possui 21 campus espalhados pelo estado do Paraná e continua em expansão.

Atualmente, a instituição contempla mais de 23 mil estudantes nos cursos de modalidade presencial e a distância. O IFPR Jacarezinho tem como diferencial dos demais institutos uma equipe gestora que acredita profundamente no potencial transformador dos seus alunos e que propõe uma metodologia de ensino inovadora que dá aos jovens autonomia e incentiva a autoria, ao mesmo tempo que proporciona uma visão crítica da sociedade.

Clique nas abas azuis para saber mais.

1. Por que o IFPR Jacarezinho é uma Escola Transformadora?

A construção da mudança curricular na escola ocorreu a partir da percepção de que alguns problemas eram inerentes ao Ensino Médio. Para tanto, além da metodologia diferenciada da escola, que foi concebida considerando maior autoria dos estudantes e educadores, há projetos de extensão em que os educandos levam para a comunidade benefícios dos seus estudos e pesquisas. Estes podem ser propostos pelos professores ou pelos alunos, e, em muitos casos, os estudantes recebem bolsas para desenvolvê-los.

Exemplos de engajamento dos estudantes são projetos como a publicação de um livro sobre a ditadura militar, escrito a partir de entrevistas realizadas com pessoas da cidade que viveram o período; o desenvolvimento de um software para mapeamento de problemas urbanos (como, por exemplo, focos de dengue); e visitas regulares dos estudantes a um asilo para fazer companhia aos idosos.

Outras ações para a comunidade são desenvolvidas e apoiadas pelo Grêmio Estudantil, como o Balaio Cultural, uma espécie de sarau com oficinas e apresentações culturais de estudantes, professores e da própria comunidade.

2. Influência

Foi realizada uma parceria com o Sebrae para a criação de capacitação para os estudantes do IFPR Jacarezinho, a Trilha Startup, que os motiva e capacita a criar empresas de tecnologia e inovação. A escola também possui parcerias com a prefeitura para a realização de aulas de informática para servidores e membros de grupos da terceira idade, além de compartilhar sua metodologia inovadora na organização do tempo escolar a serviço do protagonismo dos jovens e dos cursos de extensão.

A presença da escola na comunidade agrega diversidade. Além de ser uma instituição pública federal com 80% de alunos cotistas (por diversos fatores: econômico, social, raça, entre outros), a escola é também porta-voz da visão do programa aos mais de 30 institutos federais existentes no Brasil, mostrando que uma educação transformadora é possível e necessária.

3. As práticas e as competências transformadoras

A escola possui uma organização curricular inovadora que favorece a construção da autonomia, do protagonismo e da aprendizagem ativa dos alunos. Oferece 160 unidades curriculares, número que se amplia a cada semestre. Os estudantes devem cumprir uma mesma carga horária para os temas ligados às ciências da natureza e matemática, ciências humanas e linguagens.

As disciplinas podem ser: matemática básica, química orgânica ou primeiras civilizações; técnicas (resistência dos materiais e desenvolvimento de softwares); interdisciplinares (robótica, matemática, física, programação), “Que país é esse?” (geografia, geopolítica, música, história) e desenhos animados e suas ideologias (ciência política, análise do discurso, artes, educação). Não existem aulas de 50 minutos, mas encontros de uma hora e meia onde a aprendizagem acontece por meio de experimentos, trabalhos em grupo, debates, teatro, construção de histórias em quadrinho, entre outras formas. Estudantes são convidados a construir utensílios de diferentes civilizações – suméria, egípcia, hebraica – utilizando técnicas e materiais de época.

Os alunos experimentam diferentes formas de eletrizar materiais para discutir conceitos de física eletromagnética e atuam de maneira engajada na construção de robôs, desenvolvendo diversas competências. Alguns dos estudantes chegam a se preparar para as olimpíadas de robótica. Os educandos passam, em média, quatro anos na escola, tendo liberdade de cumprir a quantidade de horas necessárias para se formar em mais ou menos tempo. Eles podem participar dos encontros nos diversos períodos disponíveis (manhã, tarde ou noite). Não há divisão por série; os jovens escolhem sua trajetória curricular. E como a maior parte das unidades curriculares não exige pré-requisitos, as turmas misturam diferentes idades. Os alunos têm tutores – há um tutor para cada 15 alunos – que os orientam na escolha das unidades curriculares e na vivência em um ambiente educacional que dá liberdade e ao mesmo tempo exige novas responsabilidades.

Além disso, há um corpo técnico de assistência psicossocial aos estudantes, com psicólogo, pedagoga e assistente social. Esse grupo é responsável também pela mediação de conflitos e ações preventivas na construção das relações: escuta dos alunos, rodas de conversa e palestras sobre temas como prevenção às drogas, diversidade, emoções nos relacionamentos, situação política do país – tudo isso junto à comunidade escolar. Estudantes de baixa renda têm a possibilidade de acessar bolsas de apoio para despesas gerais durante o período escolar.

Confira o depoimento da estudante Carolina Hikari sobre protagonismo no IFPR Jacarezinho:

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